A esporotricose é uma infecção causada por um fungo presente na natureza, especialmente no solo, plantas e madeira. Nos últimos anos, a doença tem chamado atenção no Brasil porque também pode ser transmitida por gatos infectados.
Apesar de assustar muitas pessoas, a boa notícia é que a esporotricose tem tratamento e cura, principalmente quando diagnosticada cedo.
O que é esporotricose?
A esporotricose é uma infecção causada por fungos do gênero Sporothrix schenckii.
Ela é classificada como uma micose subcutânea, ou seja, uma infecção que atinge a pele e o tecido logo abaixo dela.
Na maioria dos casos, a doença permanece localizada na pele, mas em algumas situações pode se espalhar pelos vasos linfáticos, formando novas lesões ao longo do braço ou da perna.
Como a esporotricose é transmitida?
A transmissão ocorre quando o fungo entra na pele através de pequenos ferimentos.
As formas mais comuns são:
Contato com plantas ou solo contaminado
O fungo vive naturalmente em:
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terra
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espinhos de plantas
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madeira
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matéria orgânica
Por isso a doença já foi chamada de “doença do jardineiro”.
Arranhadura ou mordida de gatos infectados
Atualmente, uma das formas mais comuns de transmissão ocorre através de gatos doentes.
O fungo pode estar presente nas:
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unhas
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secreções das feridas
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lesões na pele
Por isso, qualquer arranhão ou mordida de gato com feridas suspeitas deve ser avaliado.
Quais são os sintomas da esporotricose?
Os sintomas costumam aparecer entre 1 e 3 semanas após o contato com o fungo.
Os sinais mais comuns incluem:
Lesão inicial
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pequeno caroço na pele
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semelhante a picada de inseto
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geralmente indolor no início
Evolução da lesão
Com o tempo a lesão pode:
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aumentar de tamanho
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virar uma ferida aberta
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produzir secreção
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formar crostas
Lesões ao longo do braço ou da perna
Em alguns casos surgem vários nódulos em linha, acompanhando o trajeto dos vasos linfáticos.
Onde a esporotricose aparece com mais frequência?
As áreas mais afetadas são:
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mãos
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braços
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pernas
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face
Isso acontece porque essas regiões estão mais expostas a arranhões, espinhos ou traumas na pele.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é realizado por um médico através da avaliação das lesões e exames laboratoriais.
Os principais exames incluem:
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cultura do fungo
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biópsia da lesão
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exame microscópico
A cultura do fungo é considerada o padrão-ouro para confirmação da doença.
Qual é o tratamento da esporotricose?
O tratamento é feito com medicamentos antifúngicos.
O medicamento mais utilizado é o:
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Itraconazol
O tratamento costuma durar de 3 a 6 meses, dependendo da evolução das lesões.
Em casos mais graves pode ser necessário tratamento hospitalar com:
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Anfotericina B
É importante seguir o tratamento até o final, mesmo que a ferida melhore antes.
Como prevenir a esporotricose?
Algumas medidas ajudam a evitar a infecção:
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usar luvas ao mexer com plantas ou terra
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evitar contato com gatos com feridas
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lavar bem qualquer arranhão ou ferimento
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procurar atendimento médico se surgir lesão que não cicatriza
Perguntas mais buscadas sobre esporotricose
Esporotricose é contagiosa?
Normalmente não passa de pessoa para pessoa. A transmissão ocorre principalmente por solo contaminado ou gatos infectados.
Esporotricose tem cura?
Sim. Com tratamento adequado a doença tem cura na maioria dos casos.
Esporotricose pode matar?
É raro. Casos graves ocorrem principalmente em pessoas com imunidade baixa.
Quanto tempo dura o tratamento?
O tratamento costuma durar 3 a 6 meses, podendo variar conforme a resposta ao medicamento.
Como saber se um gato tem esporotricose?
Os sinais mais comuns são:
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feridas que não cicatrizam
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lesões com secreção
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queda de pelos ao redor das feridas
Nesses casos o animal deve ser avaliado por um veterinário.
Conclusão
A esporotricose é uma doença causada por fungos presentes na natureza e que também pode ser transmitida por gatos infectados. Apesar de causar lesões que podem preocupar, a doença tem tratamento eficaz e cura quando diagnosticada precocemente.
Por isso, qualquer ferida que não cicatriza ou nódulo persistente na pele deve ser avaliado por um médico.
Autor
Dr. Jonas Campos Correa de Melo
Médico
Referências
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Sociedade Brasileira de Dermatologia
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Ministério da Saúde
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Centers for Disease Control and Prevention
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Organização Mundial da Saúde

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