A dificuldade para amamentar é uma situação muito comum nos primeiros dias ou semanas após o nascimento do bebê. Muitas mães relatam dor, insegurança, baixa produção de leite ou dificuldade do bebê em sugar corretamente.
Apesar de ser um desafio frequente, é importante saber que na maioria dos casos a dificuldade para amamentar tem solução, especialmente quando há informação correta, apoio profissional e acolhimento emocional.
O que significa ter dificuldade para amamentar?
Ter dificuldade para amamentar significa enfrentar obstáculos para oferecer o leite materno de forma eficaz, confortável e contínua.
Essas dificuldades podem estar relacionadas:
- À mãe
- Ao bebê
- À técnica de amamentação
Dificuldade não significa incapacidade. A amamentação é um processo de aprendizado tanto para a mãe quanto para o recém-nascido.
Principais causas da dificuldade para amamentar
Pega incorreta do bebê
É a causa mais comum. Quando o bebê suga apenas o mamilo, e não a aréola, podem surgir dor, fissuras e retirada inadequada do leite.
Dor ao amamentar e fissuras mamárias
Rachaduras, sangramentos e sensibilidade intensa tornam a amamentação dolorosa, levando muitas mães a interromper o aleitamento.
Ingurgitamento mamário
O acúmulo de leite deixa as mamas endurecidas, quentes e dolorosas, dificultando a sucção do bebê.
Produção insuficiente de leite materno
Pode estar relacionada a:
- Estresse e ansiedade
- Intervalos longos entre as mamadas
- Pega incorreta
- Alterações hormonais
Ansiedade, cansaço e estresse emocional
O período pós-parto envolve mudanças físicas e emocionais intensas. O estresse interfere diretamente nos hormônios responsáveis pela produção e liberação do leite.
Alterações anatômicas da mama
Mamilos planos ou invertidos podem dificultar o início da amamentação, mas raramente impedem o aleitamento quando há orientação adequada.
Condições do bebê
Prematuridade, língua presa, sonolência excessiva ou dificuldades de sucção também podem interferir na amamentação.
Sinais de que a amamentação não está indo bem
- Dor persistente ao amamentar
- Mamilos machucados ou sangrando
- Bebê com baixo ganho de peso
- Mamadas muito curtas ou muito prolongadas
- Bebê permanece irritado após mamar
- Pouca quantidade de urina ou fezes
Esses sinais indicam a necessidade de avaliação profissional.
O que fazer para melhorar a amamentação?
Ajustar posição e pega
- Boca bem aberta
- Abocanhar a maior parte da aréola
- Lábios virados para fora
- Queixo encostado no peito
Amamentar em livre demanda
Oferecer o peito sempre que o bebê quiser estimula a produção de leite e fortalece o vínculo.
Esvaziar corretamente as mamas
A ordenha manual ou com bomba pode ajudar tanto em casos de excesso quanto de baixa produção de leite.
Cuidar da saúde das mamas
- Evitar sabonetes agressivos
- Manter os mamilos secos
- Utilizar o próprio leite materno para hidratação local
Buscar ajuda especializada
Enfermeiros, médicos e consultoras em amamentação são fundamentais para orientar corretamente e evitar complicações.
Quando procurar ajuda médica?
- Dor intensa que não melhora
- Febre, vermelhidão ou suspeita de mastite
- Bebê com dificuldade para ganhar peso
- Dúvidas persistentes sobre produção de leite
Perguntas frequentes sobre dificuldade para amamentar
É normal ter dificuldade para amamentar no início?
Sim. É muito comum nos primeiros dias após o parto.
Sentir dor ao amamentar é normal?
Dor persistente não é normal e geralmente indica pega incorreta.
É comum achar que tem pouco leite?
Sim. Na maioria das vezes a produção é suficiente, e essa sensação costuma estar relacionada à sucção inadequada ou à ansiedade.
Mamilos planos impedem a amamentação?
Não. Com orientação adequada, é possível amamentar normalmente.
A importância do apoio emocional
A dificuldade para amamentar pode gerar culpa, frustração e sofrimento emocional. O apoio da família e dos profissionais de saúde é essencial.
Amamentar não deve ser um sofrimento, e cada mãe merece acolhimento, respeito e orientação adequada.
Conclusão
A dificuldade para amamentar é comum, real e tratável. Informação de qualidade, apoio profissional e acolhimento emocional fazem toda a diferença para transformar a amamentação em um momento mais tranquilo e seguro.
Cada mãe e cada bebê têm seu próprio ritmo. O mais importante é garantir saúde, vínculo e bem-estar.
Referências científicas
-
Organização Mundial da Saúde (OMS). Infant and Young Child Feeding. World Health Organization.
-
Ministério da Saúde. Saúde da Criança: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Brasília.
-
Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Aleitamento Materno.
-
Academy of Breastfeeding Medicine. Clinical Protocols.
-
UNICEF. Breastfeeding: A Mother’s Gift, for Every Child.
Autor:
Dr. Jonas Campos Correa de Melo
Médico – Registro no Paraguai: 33850

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